quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ponta de lápis, escrevo amor à vista: DCNT e transdisciplinaridade

Visitar a capital da terra das lagoas já é um prazer para qualquer um. Encontrar amigos sinceros torna uma viagem a Maceió uma renovação de energias. Trabalhar junto aos professores Bruno Reis, Dennys Cintra e Rafael Azeredo torna a iminente vivência ímpar na minha formação profissional e humana.

O curso sobre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) será uma das atividades que realizarei em uma semana na Cidade do Sol. Um momento para uma maior qualificação de meu projeto de tese, que será exposto para o diálogo com diversas pessoas.

Como material de apoio ao curso, elaborei um pequeno roteiro focado em algumas ferramentas de coleta de dados para investigação de fatores de risco para DCNT.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Engenheiros e nutricionistas: um diálogo possível e necessário

Somente o diálogo emerge da diversidade para a evolução.
Na semana passada, ganhei um presente da Prof Fátima Piccolo: a oportunidade de retornar a uma sala de aula. Trata-se da disciplina de Nutrição Humana ministrada para a graduação em Engenharia de Alimentos. Curiosamente, a turma conta também com graduandos das mais diversas áreas de formação da Ufla.


Um diálogo proveitoso e necessário se estabeleceu. Há que se encontrar uma interface entre essas profissões para que possamos garantir a segurança alimentar e nutricional, sob a égide do Direito Humano à Alimentação.

O caminho foi estabelecido sobre a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan). Dessa forma, foram debatidos os principais micronutrientes que oferecem risco à saúde da população brasileira: ferro (e vitamina C), vitamina A, iodo e tiamina. As referências utilizadas estão linkadas abaixo.

Referência Básica

Prevenção e Controle de Agravos Nutricionais - Portal da Saúde

Referências Complementares

Carências de Micronutrientes - Cadernos de Atenção Básica

Guia de Consulta para Vigilância Epidemiológica, Assistência e Atenção Nutricional dos Casos de Beribéri

Guia Alimentar para a População Brasileira - 2014

Política Nacional de Alimentação e Nutrição


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Universidade pública brasileira em expansão: histórico, expansão e assistência estudantil

No atual contexto histórico, em semana de decisões democráticas para nosso país, muito se diz, pouco se ouve, algo se extrai. Não há dúvidas sobre o crescimento exponencial que as universidades federais sofreram neste início de século. Um crescimento não apenas em números, mas em acesso, em equidade, em democratização.

O texto a seguir é um trecho de meu projeto de tese. Um pequeno histórico sobre as universidades contextualiza a experiência brasileira em expansão e interiorização em dois momentos: o do final do século passado, baseado numa privatização por vezes disfarçada; e o do atual século, numa direção mais próxima à social-democracia. A assistência estudantil surge como essencial para a garantia de que a expansão não seja mais um processo com catastróficas consequências elitizantes.

Manifestação reivindicando políticas de assistência estudantil em uma universidade federal do interior.

------------- início da transcrição -------------

2.1.1 Universidade pública em expansão e assistência estudantil


Apesar da história da universidade ter seus primórdios em parcerias estabelecidas entre clero e nobreza da Idade Média, buscando uma autonomia intelectual em relação aos poderes políticos, sua institucionalização em esferas de poder inevitavelmente ocorreu. Portanto, o pano de fundo de tensões entre uma produção de conhecimento livre e a atenção às demandas apresentadas pelas conjunturas históricas é inevitável, bem como não é possível ignorar o interesse que as universidades despertam como instrumentos ideológicos para as classes dominantes (CASTANHO, 2000).

De tal forma, no Brasil, até o início dos anos 2000, expansão universitária foi sinônimo de privatização, especialmente a partir do Golpe Militar de 1964. As demandas sociais que deveriam determinar o braço de equilíbrio dialético da autonomia intelectual foram prioritariamente ditadas por leis de mercado, em detrimento de um diálogo mais amplo com os segmentos sociais diversos (SILVA, 2001).

A interiorização das universidades brasileiras não fugiu à regra, sendo concretizada a partir de interesses particulares, muitas das vezes financiada por parcerias minimamente suspeitas com o poder público. Dessa forma, o discurso de ampliação do acesso, em verdade, pouco contribuiu, sob tal modelo, para uma verdadeira democratização de oportunidades de se cursar um nível superior para a maioria da população, caracterizada pela baixa renda. É importante sempre frisar, ainda, que especialmente nos anos 1990 foram enfatizadas medidas privatistas atenuadas no sentido de se evitar manifestações sociais, introduzidas não somente nas universidades dos planos de interiorização, mas em grandes instituições públicas consolidadas, traduzidas na defesa da terceirização, na parceria escola-empresa, nos convênios e nos contratos de prestação de serviço (DOURADO, 2001). Este modelo acarretou uma perda clara do elemento de gratuidade, como era observado na cobrança de taxas de matrícula ou de diploma, e ainda hoje persiste na forma de eventos cuja participação estudantil é ditada como obrigatória, especializações, disciplinas isoladas, dentre outras formas de cobranças monetárias. O resultado desse modelo em âmbito nacional foi uma “elitização do acesso à educação superior”, que “passou a ser fortemente questionada e apontada como uma das formas de exclusão social” (WESKA et al., 2012, p.9).

Em 2003 foi estabelecido um novo plano de expansão para as universidades públicas federais brasileiras, executado em três fases: a) Expansão I, entre 2003 e 2007, cuja meta principal foi a interiorização; b) o polêmico Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado em 2007, objetivando a ampliação do acesso e da permanência, e; c) fase de integração regional e internacional, concomitante aos dois anteriores, criando quatro novas universidades, com o objetivo de aproximar países falantes da língua portuguesa na África e na Ásia. Ressalta-se que a plenitude desse plano foi realizada com orçamento público, sem qualquer estabelecimento, ao menos no âmbito da esfera do Poder Executivo Federal, de parcerias com empresas privadas. Os resultados do plano de expansão, num enfoque quantitativo, foram, entre 2003 e 2010, um salto de 45 para 59 universidades federais (ampliação de 31%) e de 148 para 274 campus/unidades (crescimento de 85%). No caso particular da fase de interiorização, o número de municípios atendidos por universidades públicas federais passou de 148 para 272: um crescimento de 138% (WESKA et al., 2012). A Ufla, em atualização de junho de 2013, passou a somar 23 cursos de graduação presenciais, totalizando 6416 estudantes. A população total circulante diária declarada era de 13 mil pessoas (UFLA, 2013).

Constata-se, portanto, uma realidade completamente nova no seio das universidades federais do interior do país, com a qual há que se repensar profundamente diversos aspectos institucionais. As universidades federais do interior do Brasil historicamente podem ser consideradas polos que arraigam estudantes de uma vasta região geográfica em seu entorno. Essas comunidades, constituídas em maioria por estudantes, hoje têm uma conformação social diferente de 10 anos atrás, com uma participação muito mais representativa de classes sociais mais diversas, especialmente as de menor renda. O caso particular das universidades do interior cria uma demanda ainda maior para uma população que se espera diferenciada das de universidades de grandes centros urbanos. Para uma efetiva permanência dessas novas comunidades nas universidades expandidas pela fase de interiorização, tornam-se ainda mais necessários investimentos em assistência estudantil.

A inserção das classes sociais de menor renda na universidade pública foi objeto de estudo desde o período anterior aos planos de expansão, e foram determinantes para o surgimento, e ainda o são para o amadurecimento, de políticas de assistência estudantil. Há evidências relatadas de dificuldades maiores impostas pela realidade relacionadas a etnia, renda familiar, ocupação profissional de familiares, concomitância do estudo com um emprego, escolaridade do chefe de família e residência em moradias estudantis (FONAPRACE, 2004; MELLO, 2007; SOUSA; SOUSA, 2006; ZAGO, 2006). Esta realidade impulsionou a criação do Pnaes, aprovado pelo Fonaprace (ANDIFES, 2007).

Em 2010, o Decreto nº 7234 regulamentou o Pnaes com a finalidade de “ampliar as condições de permanência dos jovens na educação superior pública federal”, definindo suas ações nas áreas de, entre outras, alimentação e atenção à saúde (BRASIL, 2010). A legislação define que as Ifes devem fixar mecanismos de avaliação do Pnaes, prestando todas as informações quando requeridas pelo Ministério da Educação. Nesse sentido, as Ifes são obrigadas a empreender esforços para um acompanhamento contínuo de seus programas de assistência estudantil, tais como publicados, a título de exemplo, pelas Universidades Federais do Ceará e de Minas Gerais (ANDRIOLA, 2009; VARGAS, 2011). Convém destacar que políticas de assistência estudantil relacionadas à alimentação e nutrição vêm sendo avaliadas positivamente, seja através de restaurante universitário (AN, 2013), pela execução de um programa de educação nutricional (KELLY; MAZZEO; BEAN, 2013; PATRICK et al., 2014) – embora esses sejam eventualmente contestados, principalmente por deficiências em seus processos de avaliação (FARRER et al., 2013) – ou por redistribuição de renda (MARTINS et al., 2013). O programa de assistência estudantil da Ufla oferece moradia, alimentação, bolsas institucionais (320), atendimento psicossocial, atendimento médico, odontológico, laboratorial e nutricional, e atividades de esporte e lazer (PRAEC, [s.d.]; UFLA, 2013).

sábado, 31 de maio de 2014

Programa R: a dieta de Boldrini

Em uma postagem anterior, foi proposta a resolução de um problema de dietética usando o Maxima como instrumento. Eis uma proposta para resolução valendo-se do programa R. O programa R cada vez mais torna-se uma importante ferramenta, uma vez que é gratuito, de código aberto, e largamente usado para análises estatísticas com alto grau de confiabilidade.


# Vetores por alimento
alimentoI <- c(1,10,1,2,2)
alimentoII <- c(9,1,0,1,1)
alimentoIII <- c(2,2,5,1,2)
alimentoIV <- c(1,1,1,2,13)
alimentoV <- c(1,1,1,9,2)

# Matriz de coeficientes
A <- rbind(alimentoI,alimentoII,alimentoIII,alimentoIV,alimentoV)

# Vetor/matriz de termos independentes
b <- c(170,180,140,180,350)
B <- cbind(b)

# Transpondo A (cada linha deve totalizar a quantidade de um mesmo nutriente)
At <- t(A)

# Calculando Matriz de incógnitas (AX=B)
Vitaminas <- paste("Vitamina",LETTERS[1:5],sep=" ")
X <- data.frame(solve(At,B),row.names=Vitaminas)
X

# A fórmula para cálculo é apenas "solve(At,B)"
# O restante do código serve apenas
# para apresentar melhor os resultados,
# evitando-se confusão entre vitaminas
# de A a E, e alimentos de I a V

Baixar código para R

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cálculo I (Funções): política de alimentação do café com leite

Na sequência de meus estudos sobre Cálculo, mais um exemplo transcrito com aplicação para nutricionistas. Trata-se de um exercício para provocar a intuição sobre conceitos matemáticos, mas que denota a importância desse ramo do saber para a prática de nutricionistas. Numa unidade de alimentação e nutrição, esse profissional deve estar atento a um monitoramento constante da temperatura das preparações, resguardando-se de riscos de infecções.

----------   início da transcrição   ----------

Um copo de café quente está sobre a mesa. Você despeja leite frio nele e espera por uma hora. Esboce um gráfico aproximado da temperatura do café como uma função do tempo.

----------   fim da transcrição   ----------

Fonte: ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephen. Cálculo. Vol. 1. Porto Alegre: Bookman, 2007.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Álgebra Linear: mais um problema com dieta

Sobrevivendo à luta para falar a língua dos Homens, sigo estudando fundamentos de Matemática. Num livro cuja indicação colhi no site de um professor da Universidade de São Paulo, deparei-me com mais um problema relacionado à atuação do nutricionista. Aplicando conhecimentos que venho estudando na Álgebra Linear, fiquei feliz por ter conseguido resolver esse, aproveitando para aplicar o uso do software Maxima.


O problema gera um sistema linear de cinco incógnitas. Sua solução é viável a partir do escalonamento da matriz completa do sistema. Buscando-se uma alternativa ao escalonamento, considerei um teorema para sistemas lineares homogêneos, que prova que a matriz das incógnitas ou solução (X) é igual ao produto interno da matriz inversa dos coeficientes (A^-1) pela matriz dos termos independentes (B). Com o software Maxima fazendo o trabalho braçal de cálculos foi fácil chegar à conclusão de que X = (10,10,20,20,10). Eis o código adotado:

A: matrix([1,9,2,1,1],[10,1,2,1,1],[1,0,5,1,1],[2,1,1,2,9],[2,1,2,13,2]);
Ainv: invert(A);
b: matrix([170],[180],[140],[180],[350]);
x: Ainv.b;

O código para resolução do problema válido para o programa R foi publicado em outra postagem.

O problema abre portas para um trabalho comum de nutricionistas, que acabam desde sua graduação levando muito tempo em tentativas, erros e acertos para ajuste dietético de planos alimentares.

Fonte: BOLDRINI, José Luiz et al. Álgebra Linear. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1980.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Nós não vamos provar nada

Ainda pela disciplina de Metodologia do Ensino Superior, grupos foram formados para coordenar debates sobre temas predefinidos. Tive a felicidade de poder escolher a avaliação.

Baseado nos textos sugeridos pela Prof Jacqueline Magalhães Alves, focamos nossa proposta em revisitar o tema reconstruindo o modelo de ensino-aprendizagem como um todo. Se vivenciamos processos ultrapassados de avaliação pedagógica, isso só pode ser entendido no contexto em que ela está inserida: propostas pedagógicas tradicionais.

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